domingo, 3 de abril de 2011

Presidente da ACV discursa na Câmara Municipal de Campo Grande


ACV/MS REINVINDICA RECURSOS DE 1% DO ORÇAMENTO MUNICIPAL PRA CULTURA E A REESTRUTURAÇÃO DA GESTÃO DA FUNDAÇÃO PARA AÇÕES DE CO-PRODUÇÃO, GERANDO COMPROMETIMENTO E RECURSOS PARA OS ORGÃOS PÚBLICOS FINANCIADORES . UMA VERDADEIRA CRUZADA DE SUSTENTABILIDADE.

O presidente da ACV/MS, Associação de Cinema e Vídeo de MS, Candido Alberto, discursou ontem no púlpito da Câmara Municipal de Campo Grande, reiterando as ações que a ACV/MS faz em prol da aplicação da lei do 1% do orçamento municipal para a cultura. Ressaltando que é preciso acabar com o frenesi de obras e investir na produção não apenas subsidiando, mas participando de processos de co-produção onde o dinheiro público investido tenha retorno de
capital.

O presidente da ACV separou uma parte de sua exposição para falar como cidadão e lembrou que a casa deve fechar questões de cidadania. Ações que são para todos os cidadãos. Sugeriu então que a questão não pode passar apenas por discursos de situação e oposição. Os graves problemas de infra-estrutura por que passa o município devem ser resolvidos, uma vez que os impostos municipais são altos. Servidores públicos que se revezam em suas campanhas prometendo tudo, e é justo devolverem esses impostos em forma de serviços de qualidade.

Para tanto é aumentar a fiscalização concreta sobre as obras realizadas. Principalmente o asfalto de baixa qualidade feito em todas as ruas da cidade que, ao serem acabados, são logo quebrados por empresas privadas que exploram o serviço público e fazem a reparação sem critérios ou fiscalização. Lembrou ainda o antigo prefeito Ari Coelho de Oliveira que saia às ruas com um picareta para fiscalizar a qualidade do asfalto que hoje não têm responsáveis diretos, e todos culpam a natureza.

Disse ainda que Campo Grande sempre teve, em seus prefeitos, fiéis seguidores de um planejamento organizado para o município desde a gestão do vereador e prefeito Plínio Barbosa Martins que foi continuado pelo plano de Jaime Lerner e outros que foram se sucedendo até cair nos dias de hoje. Os planos de hoje, trazem em sua formulação urbana, uma preocupação quantitativa acompanhada de uma febre sempre justificada por aumento da arrecadação.

Mas que esses planos nunca contemplaram a cultura em sua totalidade dando a ela esse aspecto provinciano do dono da fazenda ou do pároco para quem cultura e entretenimento eram benesses para satisfazer amigos nos dias de festa. A questão profissional da Arte e da Cultura sempre foram coisas baratas, sem custo e realizadas a troco de homenagens honoríficas. Nunca voltada para sua profissionalização e força de trabalho permanente na economia bovina que determina uma cultura vigente até agora.

Portanto sem sua importância devida. Citou ainda que a criação da PLANURB foi o grande acerto adotado pelos responsáveis pela gestão da cidade. Nesse momento, adiantando a fala em função de seu tempo, ele cita que esse órgão foi articulado na Câmara Municipal de Campo Grande e proposto pelo então vereador Fausto Matogrosso, representante do PCB na casa. Uma ação de cidadania tomada pela casa de leis da cidade.

Finalizando ele disse que a cultura precisa ser incluída no processo produtivo do Estado e da Cidade e citou as providências articuladas pela ACV/MS junto aos órgãos públicos Municipais e Estaduais na luta pela profissionalização das atividades do audiovisual. Começado pelas Film Commissions que irão regulamentar e auxiliar na vinda das produções estrangeiras e nacionais que vem ao Estado, captam as imagens da nossa natureza exuberante, transformam isso em produto e ganham muito dinheiro sem deixar nos locais um percentual obrigatório por lei federal.

Lembrando ai filmes que foram rodados em Rio e SP que deixaram circular mais de seis milhões de dólares nas cidades que usaram como locação. Citou ainda o encontro promovido pela ACV/MS com a vinda de produtores do Amazonas como a Amazonfilm,dirigida pelo produtor Chicão Fill que já esta providenciando a vinda a BBC de Londres, da TV Francesa para fazer uma série sobre natureza em nosso Estado.O produtor dos filmes “Ensaio sobre a Cegueira”de Fernando Meireles e “Mercenários”de Sylvester Stallone demonstrou seu interesse em trazer produções para Campo Grande e citou um filme coreano-americano que esta em seus planos. A pré produção de um filme do Brad Pitt reprovou o Estado por não ter infra-estrutura.

Disse ainda afirmou que, sendo o cinema uma atividade industrial ele precisa do apoio da cidade e seus representantes para colocar o nome do Mato Grosso do Sul, que gera tantas polêmicas, no mapa do Brasil. Com atitudes profissionais concretas e não com a troca de nome do Estado.

Reafirmou que o cinema não quer apenas subsidio, que é uma obrigação constitucional de Estados e Municípios, mas de um sistema produtivo criado para essa atividade que irá gerar empregos, criar referencias, educar e custa muito mais barato que revolveres e coletes a prova de bala. Pois humaniza as relações dos cidadãos e provocam sua inserção definitiva no seio da sociedade custando menos e rendendo dividendos.

Dito isso ele falou das produções patrocinadas pela ACV/MS juntamente com os associados de cinco filmes até o fim do ano. Três desses filmes são oriundos da presença da ACV/MS e cineastas associados no bairro., Eles resolveram fazer três filmes a partir de seu ponto de exibição. E duas animações de histórias verdadeiras acontecidas na cidade.

1- JU DÔ Bairro – direção de Luis Arthur Travi- Sobre um japonês que vendia ovos na comunidade e virou o professor de judô premiado da associação.

2- Jânio e Maria – Direção de Alexandre Couto e Pedro Martins Filho - Sobre a relação do Presidente do Bairro Jânio Macedo com sua comunidade.

3- Os Três Mosqueteiros – Direção de Reynaldo Paes de Barros- Sobre três crianças carentes que freqüentavam a Associação durante o dia todo e a consideravam sua segunda casa.

4- A Onça Fugida- Roteiro e direção de Cândido Alberto da Fonseca – Sobre a onça que fugiu do CRAS e suas aventuras. Para ser um filme de animação.

5- Alex, O Leão Estropiado- Crônica de Silvio Andrade com roteiro de Silvio e Cândido- Sobre um leão de circo apreendido pelo IBAMA por sofrer maus tratos e depois escreve suas memórias. Mais um desenho animado a ser produzido.

Falou ainda que a primeira vez que esteve na Câmara, a convite do presidente Paulo Siúfi que propôs a casa a criação de um prêmio anual para a cultura emitido pela Câmara Municipal aos
artistas de Campo Grande e aos incentivadores e produtores culturais.

Com isso alguns deputados se manifestaram e colocaram a casa a nossa disposição. Algumas palavras foram proferidas pelos Vereadores, Athayde Neri, Marcelo Bluma, Paulo Pedra e Grazielle Machado. Athayde reiterou seu apoio incondicional e disse que continua a defender a criação de uma secretaria de cultura, Marcelo Bluma defende a criação de uma agencia de cultura para ter mais agilidade e menos gente para viabilizar a produção cultural, Paulo Pedra
sugeriu a produção de um filme sobre o ex-prefeito Ludio Martins Coelho e Grazielle disse que tem um cineasta em casa que é seu marido e apóia integralmente as ações da cultura unidas com a educação.

Todos estavam irmanados com a idéia de participar de um projeto que possibilite aos artistas locais condições de ter uma vida profissional e digna durante o ano todo.

Diana Gaúna, Josué Junior e Luis Arthur para ACV\MS

0 comentários: